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A Devassa Digital em Brasília, Banco Master e Cellebrite (+ Toolset Pessoal)

ultimamente ta todo mundo falando da tal "devassa digital" e do uso do Cellebrite Premium em investigações. sera q a ferramenta é tudo isso mesmo? ou é mais hype do q realidade? (´。• ᵕ •。`)

como dev q trabalha com cloud e infraestrutura, segurança de dados é tema do meu dia a dia. compliance, LGPD, proteção de dados sensíveis de clientes. resolvi escrever o q aprendi sobre como essa tecnologia funciona de verdade.

O que é o Cellebrite?

a Cellebrite é uma empresa de israel q vende o UFED e o Premium. são ferramentas de forense digital usadas por agências de segurança e investigação de vários países.

o diferencial deles é q conseguem extrair dados de dispositivos mobile mesmo sem a senha do usuário. isso acontece pq eles utilizam vulnerabilidades conhecidas (zero-days) q ainda nao foram corrigidas pelos fabricantes.

o foco principal é MOBILE. zap, fotos, localização, até arquivos deletados. a licença é do tipo "unlimited", entao a polícia pode analisar quantos celulares precisar durante o período do contrato.

A lenda da "Gaiola quebra senha"

a midia fala mto da Gaiola de Faraday, mas explica tudo errado.

colocar o celular na gaiola NAO quebra a criptografia. a gaiola só bloqueia o sinal (4g/wifi). pra q serve entao?

  1. evitar o remote wipe. pro dono nao mandar um comando remoto pra apagar o celular.
  2. evitar bloqueio. alguns celulares bloqueiam certas portas de dados se conectarem na rede.

entao a gaiola é só pra segurar o celular "vivo" até o equipamento ser plugado.

Senha vs Biometria (Rosto/Dedo)

aqui ta o maior erro das pessoas. achar q face id é mais seguro. nao é!

a biometria é conveniente, mas tem uma fraqueza física. se alguém te obrigar a encostar o dedo no sensor ou colocar o cel na sua frente, o aparelho desbloqueia.

A REGRA DE OURO

biometria pode ser coagida fisicamente. senha alfanumérica depende da sua cooperação consciente. numa situação de risco, a senha é a única proteção q nao pode ser forçada sem sua vontade.

DICA PRO: MODO PÂNICO

segure power + volume (iphone) ou ative o lockdown mode (android). isso desativa a biometria na hora e só libera com a senha. é um recurso do sistema, nao uma gambiarra.

A Ilusão da Nuvem (Google Drive não é cofre!)

essa é clássica. "ah, mas meu google drive é criptografado".

errou feio. o Google (e Dropbox, OneDrive, iCloud padrão) usa criptografia Server-Side. isso significa q eles embaralham seus arquivos, mas eles também guardam a chave.

se um funcionário quiser, ou um invasor conseguir acesso, ele descriptografa e pega tudo. seus dados estão "trancados", mas a chave tá na portaria do prédio, não no seu bolso.

O JEITO CERTO: CLIENT-SIDE ENCRYPTION

no meu setup (usando AWS S3 e outros object storages seguros), eu uso minha própria chave de criptografia. se vc nao tem a chave privada, vc nao tem segurança real.

O "Fantasma" do Navegador (Cache)

mta gente acha q fechar a aba resolve. nao resolve.

quando vc navega, o chrome/firefox baixa imagens, scripts e pedaços de páginas pro seu pc pra carregar mais rápido depois. isso é o Cache.

a perícia forense usa isso. mesmo q vc nao tenha o histórico salvo, é possível reconstruir o q vc viu analisando a pasta de cache. até thumbnails q vc viu no windows explorer ficam salvas em arquivos como thumbs.db ou iconcache, mesmo se vc deletar o arquivo original.

"Deletar" não é "Sumir"

essa parte é perigosa.

quando vc clica em "Deletar" e esvazia a lixeira, o windows/linux NAO apaga o arquivo. ele só marca aquele espaço como "livre pra escrever em cima".

os dados continuam lá intactos até q vc grave outra coisa por cima. ferramentas simples recuperam isso em segundos.

SSD vs HDD: Como limpar de verdade?

pra se proteger disso, a técnica muda dependendo do disco.

NO HDD (Disco Rígido antigo)

a única solução é sobrescrever (escrever zeros ou lixo por cima). ferramentas como shred no linux funcionam bem aqui.

NO SSD (Discos modernos)

NAO use shred comum! sobrescrever ssd estraga a vida útil dele e nao garante q apagou (por causa do wear leveling). a solução é o comando TRIM / BLKDISCARD ou Crypto-Shredding (explicado abaixo).

O ataque "Cold Boot" e a RAM

se vc usa criptografia no pc (Bitlocker/LUKS), nunca deixe em suspender/sleep.

enquanto o pc ta ligado (mesmo com tela bloqueada), a chave da criptografia fica escrita na Memoria RAM em texto puro. existe uma técnica chamada Cold Boot Attack onde se resfria a memória RAM, remove ela e lê os dados em outro equipamento antes da energia sumir.

REGRA ANTI-COLD BOOT

sempre use desligar completamente (shutdown), nunca sleep/hibernate, se o seu pc tiver dados sensíveis com criptografia ativa.

Crypto-Shredding: o padrão da indústria para SSDs

voltando ao problema do SSD: shred e sobrescrita não funcionam porque o firmware redireciona as escritas (wear leveling). a solução padrão da indústria, inclusive usada por AWS, GCP e Azure pra descarte de discos, é o Crypto-Shredding.

COMO FUNCIONA O CRYPTO-SHREDDING

em vez de apagar os dados diretamente, você encripta o volume inteiro com uma chave AES-256 gerada aleatoriamente, e depois descarta só a chave. o resultado? os dados continuam lá fisicamente, mas são matematicamente irrecuperáveis sem ela. é exatamente o que o comando blkdiscard com criptografia ativa (LUKS) faz no Linux.

esse modelo é documentado pelo NIST SP 800-88 (Guidelines for Media Sanitization) como método aprovado de sanitização pra mídias de estado sólido. é o mesmo princípio por trás do "Erase All Content" do iPhone: o dispositivo não apaga os dados, ele descarta a chave de criptografia que protege o volume.

NO LINUX (LUKS)

se o volume estiver criptografado com LUKS desde o início, o "wipe seguro" se resume a: cryptsetup erase /dev/sdX. isso destrói o key slot e torna o volume inacessível de forma irrecuperável, sem precisar sobrescrever byte a byte.

NA PRÁTICA

a lição é: criptografe o disco desde o início (LUKS no Linux, BitLocker no Windows, FileVault no Mac). se você fizer isso, o "wipe" no fim da vida do disco é trivial e confiável. se não fizer, você vai ter dor de cabeça tentando garantir o descarte seguro depois.